alegre desespero
"Compreende-se
que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,
ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.
Compreende-se.
E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,
e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.
Compreende-se.
Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.
Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.
E o nosso sofrimento para que serviu afinal?"
António Gedeão
Continuamos a caminhar lado a lado mas, as nossas tormentas estão a globalizar-se.
As tormentas que todos partilhamos são a saúde e a segurança do nosso planeta.
Enfrentamos um problema cuja "solução" está nas mãos de todos e de cada um.
Neste processo, como em tantos outros , os "umbigos d'ouro" são o maior obstáculo.
depois da eleição de George W. Bush muitos Americanos
publicaram textos e fotos com pedidos de desculpa ao mundo.
Obrigada por terem tentado,
espero que na próxima consigam.
Kyoto e a Paz estão à espera!
7 comentários:
O meu comentário anterior continha um erro de sintaxe.
De qualquer das maneiras, uma coisa é certa do Bush jr. já nos livramos, agora resta saber quem quem se sentará na cadeira do poder.
Quanto aos meus blogues não há nenhuma palavra-passe para comentar, pode a r.porter comentar à sua vontade :)
Beijinhos
Amiga R.porter
gostei imenso do poema de A. Gedeão e muito do que escreveste tu, também; por vezes pergunto a mim próprio para onde vamos nós?
Beijinhos e bom domingo.
Sem querer ver nem mais nem mais longe que António Gedeão, resta saber se em três mil e tal haverá sequer alguém por aqui para ter memória de alguma coisa...
Acredito na sinceridade das desculpas de metade dos norte-americanos. No que não acredito é que façam tudo o que deviam para convencer uma pequenina parte da outra metade... E, que eu saiba, Bush ainda está no trono!
(Estes temas azedam-me...)
Beijinhos! :-)
Miguelangelo,
Parece-me que o Bush ainda não a fez toda. Não te esqueças que agora não tem nada a perder.
Eu espero tudo de quem troca ? por !. Não é? Não é!
O que se seguirá? Haverá alguém à altura de um país com a responsabilidade dos E.U.A., cujas atitudes internas podem alterar e afectar o mundo, como alteram e afectam hoje em dia.
Num país onde tudo se inventa e produz, bem podiam inventar, produzir e eleger um Presidente Global.
É disso que eles e todo o mundo precisam.
Fico mais aliviada por não ser necessário palavra-passe para comentar (sabes como sou esquecida).
Beijinhos
Olá Pinguim,
é realmente preocupante o rumo que tudo está a tomar.
Este poema reflecte precisamente isso, é por isso que também gosto dele.
Beijinho
Olá Ric,
Realmente Gedeão era optimista. Por este caminho três mil e rsrsrs...
Tens toda a razão, a mim também me azedam mas está em questão a saúde do nosso planeta e por consequência...
Quando os actuais interesses económicos do país e das empresas mais poluentes ultrapassam a saúde do planeta, resta-nos gritar, porque não têm interesses económicos futuros, escapou-nos algum pormenor?
Não somos mais ricos e poderosos mas temos voz e o mundo pertence a todos.
Por vezes, só por vezes, compreendo o Bin, embora não aceite a maneira americanada de agir. É caso para dizer que, o aluno superou o mestre...
Espero que melhores dias nasçam!
Beijinho
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