ao que parece esta aconteceu mesmo, aí pelos anos trinta:
Um padre malandreco e rapioqueiro, esquecido do sagrado dever do celibato, andava de olho arregalado numa moçoila da paróquia.
Aborrecida das perseguições do senhor prior, a rapariga relatou ao pai o sucedido.
O pai da moça era provinciano, mas não era parvo. Ensinou à filha dois ou três truques para se defender do assédio do servo de Deus na terra, disse-lhe para não pensar mais no assunto. Engendrou um pretexto, organizou uma festa familiar, convidou o padre.
A um repasto opíparo, convinha uma inovação: Uma sedutora garrafa de vinho cintilava à frente de cada convidado. Em pleno almoço, impunha-se uma saudação: Mandou encher os copos, levantou-se, ergueu o seu bem alto, brindou aos presentes. Saltaram uns estalidos de língua, uns ahhhh correram em redor.
O eclesiástico era o convidado de cerimónia; o dono da casa perguntou-lhe:
- Então, senhor prior, que tal lhe parece esta pinga?
O padre parecia comprometido. Vacilava entre a cortesia e a franqueza.
- Excelente!... - Fez uma pausa e completou: - Contudo, parece ter um gostinho...
- Veja lá como as coisas são, senhor prior!... - disse o anfitrião. A seguir rematou: - Pois olhe que esse é do mesmo barril onde o senhor queria meter a torneira.
Fonte: anedotário lusitano