19 janeiro 2008

A Capela


É dos locais obrigatórios de peregrinação do Bairro Alto. À entrada, um corredor estreito, sempre densamente povoado, separa a zona do balcão da zona de estar. A decoração nostálgica, neo-barroca, de cortina vermelha, antiga grafonola, espelho com moldura dourada e uma enorme pia de água benta, lembra um pouco os anos 80.
Mas o charme da Capela não reside só aí...
O "glamour" dos artistas, das gentes do teatro e do cinema, dos intelectuais aliados a uma troupe de DJ particularmente inspirada, fizeram da Capela um dos bares obrigatórios do Bairro. O eclectismo da selecção musical combina as sonoridades ambientais da música electrónica, o dub, o groove com clássicos de todos os tempos, de Madonna a Kraftwerk. Na casa, a dupla Major Eléctrico, Fernando Fadigas, Luís Elgris, entre outros, são os responsáveis pela qualidade sonora. Cá fora, nas noites mais amenas, a Capela ganha uns metros quadrados à rua.

Cláudia Castelo (PUBLICO.PT)

Lisboa, R. da Atalaia, 45
Todos os dias das 21h30 às 04h00

DJ Fernando Fadigas, Miguel Sá, Rui Pragal da Cunha e Major Eléctrico, entre outros.



16 janeiro 2008

Gramática para maiores de 18

;)
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


Fernanda Braga da Cruz

aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

10 janeiro 2008

Já vi este filme...

Mais um cancelamento, desta vez na 7ª arte, a cerimónia dos Globos de Ouro, a terceira gala com maior audiência nos Estados Unidos da América, foi cancelada. É verdade! Num acto de solidariedade, os actores colocaram-se ao lado dos argumentistas, em greve há cerca de dois meses, deixando claro que não iriam participar na cerimónia. A organização do evento, a cargo da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, não teve hipótese e anunciou que a entrega de prémios será reduzida a uma conferência de imprensa.

Andam com alguma falta de inspiração e originalidade porque eu já vi este filme e não foi à muito tempo.

2008, só em 10 dias, mostrou que quer ser um ano em cheio, será que ainda vamos assistir a mais cancelamentos. O que não falta é acontecimentos para cancelar, haja imaginação!
Cá estaremos... On vera!

04 janeiro 2008

TRISTE notícia de última hora



CANCELADO
o Rallye Lisboa - Dakar



Só vos digo que, estou que nem posso! E não é uma Frize que não me vai animar.
Mais uma vez, o ser Humano no seu pior, quando é que há RESPEITO, pessoal?
Se as razões de cancelamento da prova não passassem por Guerrinhas estúpidas e desrespeito pela vida, eu até era mulher para perceber.
Assim não!

Dá-me vontade de chorar. Desde que esta prova parte de Lisboa que a acompanho de perto todas as emoções sentidas durante estes dias cá e todos os outros numa grande aventura deserto dentro.

PORQUÊ?

Peço mais uma vez a todos os habitantes do mundo, ou seja, desta aldeia global que passem a respeitar-se uns aos outros, só assim serão respeitados.

Quantas mais vezes vou ter que escrever isto.

03 janeiro 2008

Que cnea!

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, na lieutra não ipomtra a odrem das lteras de uma plravaa, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lteras etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma csfunoão ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Croisuo!






Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia
corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4
SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3,
S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO?

POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3!

P4R4BÉN5!

02 janeiro 2008