26 setembro 2007

Tormentas

No percurso da História, as tormentas caminharam sempre lado a lado com as gentes.


alegre desespero


"Compreende-se

que lá para o ano três mil e tal

ninguém se lembre de certo Fernão barbudo

que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores

que tirou um retrato toda vestida de veludo

sentada num canapé junto de um vaso com flores.


Compreende-se.


E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto


(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)

com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,


e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,

e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,


e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,


que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,


e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,

e o resto tudo por aí fora,

e a Guerra dos Cem Anos,

e a Invencível Armada,


e as campanhas de Napoleão,

e a bomba de hidrogénio,

e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.



Mais império menos império,

mais faraó menos faraó,

será tudo um vastíssimo cemitério,


cacos, cinzas e pó.


Compreende-se.


Lá para o ano três mil e tal.


E o nosso sofrimento para que serviu afinal?"


António Gedeão


Continuamos a caminhar lado a lado mas, as nossas tormentas estão a globalizar-se.

As tormentas que todos partilhamos são a saúde e a segurança do nosso planeta.

Enfrentamos um problema cuja "solução" está nas mãos de todos e de cada um.

Neste processo, como em tantos outros , os "umbigos d'ouro" são o maior obstáculo.


depois da eleição de George W. Bush muitos Americanos

publicaram textos e fotos com pedidos de desculpa ao mundo.

Obrigada por terem tentado,

espero que na próxima consigam.

Kyoto e a Paz estão à espera!



7 comentários:

m disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
m disse...

O meu comentário anterior continha um erro de sintaxe.
De qualquer das maneiras, uma coisa é certa do Bush jr. já nos livramos, agora resta saber quem quem se sentará na cadeira do poder.
Quanto aos meus blogues não há nenhuma palavra-passe para comentar, pode a r.porter comentar à sua vontade :)
Beijinhos

João Roque disse...

Amiga R.porter
gostei imenso do poema de A. Gedeão e muito do que escreveste tu, também; por vezes pergunto a mim próprio para onde vamos nós?
Beijinhos e bom domingo.

RIC disse...

Sem querer ver nem mais nem mais longe que António Gedeão, resta saber se em três mil e tal haverá sequer alguém por aqui para ter memória de alguma coisa...
Acredito na sinceridade das desculpas de metade dos norte-americanos. No que não acredito é que façam tudo o que deviam para convencer uma pequenina parte da outra metade... E, que eu saiba, Bush ainda está no trono!
(Estes temas azedam-me...)
Beijinhos! :-)

r.porter disse...

Miguelangelo,
Parece-me que o Bush ainda não a fez toda. Não te esqueças que agora não tem nada a perder.
Eu espero tudo de quem troca ? por !. Não é? Não é!
O que se seguirá? Haverá alguém à altura de um país com a responsabilidade dos E.U.A., cujas atitudes internas podem alterar e afectar o mundo, como alteram e afectam hoje em dia.
Num país onde tudo se inventa e produz, bem podiam inventar, produzir e eleger um Presidente Global.
É disso que eles e todo o mundo precisam.

Fico mais aliviada por não ser necessário palavra-passe para comentar (sabes como sou esquecida).
Beijinhos

r.porter disse...

Olá Pinguim,
é realmente preocupante o rumo que tudo está a tomar.
Este poema reflecte precisamente isso, é por isso que também gosto dele.
Beijinho

r.porter disse...

Olá Ric,
Realmente Gedeão era optimista. Por este caminho três mil e rsrsrs...
Tens toda a razão, a mim também me azedam mas está em questão a saúde do nosso planeta e por consequência...
Quando os actuais interesses económicos do país e das empresas mais poluentes ultrapassam a saúde do planeta, resta-nos gritar, porque não têm interesses económicos futuros, escapou-nos algum pormenor?
Não somos mais ricos e poderosos mas temos voz e o mundo pertence a todos.
Por vezes, só por vezes, compreendo o Bin, embora não aceite a maneira americanada de agir. É caso para dizer que, o aluno superou o mestre...

Espero que melhores dias nasçam!
Beijinho