24 julho 2007

novos materiais


A investigação que temos por terras lusas é de excelente qualidade e permite evoluir a uma velocidade que nem damos conta, é certo que nesta área é preciso ter muito amor à camisola.
Os bolseiros de investigação ainda não viram e, pelos vistos, estão longe de ver resolvidos os problemas com a Segurança Social, a maioria dos bolseiros estão a recibos verdes e têm de descontar por conta própria para terem direito a estar doentes.
Porque será que é exigido ao investigador ser o supra-sumo da barbatana em matéria de saúde ou resistência à dor. Porque será que estes Einstein's não têm direito a subsídio de férias e de natal e que o mês de férias signifique um mês sem ordenado.
Já agora, com esta nova medida de incentivo à natalidade, quero saber se interessa ter investigadoras grávidas.
Albert Einstein dizia:
"Imaginação é mais importante que conhecimento"
Alguns dos investigadores com que já trabalhei estão neste momento a imaginar na Holanda, Estados Unidos, França e por aí fora porque por cá não tinham imaginação suficiente.
Peço alguma imaginação para resolver este problema.


Há três meses saiu no Digital a seguinte notícia:

Velocímetros no pára-brisas e ecrãs de enrolar no bolso

Do Monte da Caparica para a LG, a Hewlett-Packard, a Fiat e a Samsung: o trabalho de cientistas portugueses da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa vai possibilitar em poucos anos que deixe de haver painéis de instrumentos nos automóveis e que passemos a trazer connosco computadores cujos ecrãs podemos enrolar e meter no nosso bolso. Uma equipa de investigadores da Nova está a desenvolver projectos que num futuro próximo serão aplicados em produtos de várias multinacionais. Na base dos contractos celebrados com estas empresas está a tecnologia que a directora do Departamento de Ciência dos Materiais (CENIMAT), Elvira Fortunato, classifica como um "ovo de Colombo": transformar o óxido de zinco num semi-condutor activo. A técnica é simples. Colocam-se LED (Light Emitting Diode, tecnologia de iluminação que é usada em quase todos os produtos eléctricos e electrónicos, desde a luzinha standby do seu televisor até aos sinais de trânsito) num vidro normal ou num simples material plástico como os que se utilizam nas garrafas de refrigerantes. A inclusão de uma fina camada de óxido de zinco sobre os materiais permite a conductibilidade, evitando-se assim perder a transparência. Depois de Elvira Fortunato ter começado a publicar os resultados da investigação em revistas científicas, surgiram as empresas interessadas. A Samsung foi a primeira. Depois vieram a LG, a HP e a Fiat. A Fiat percebeu que a tecnologia podia ser aplicada no pára-brisas dos seus carros. Assim, em vez dos actuais painéis de instrumentos, os vidros dos carros passam a ser também mostradores para os indicadores de velocidade, conta-rotações, gasolina, etc. A Samsung e a LG perceberam que poderiam produzir LCD com a espessura de uma folha de acetato. A HP viu na tecnologia uma aplicação final para e-paper. Todas assinaram contratos com a Faculdade no valor de meio milhão de euros para, segundo Rodrigo Martins, professor da FCT e director do CEMOP (Center of Excellence in Microelectronics Optoelectronics and Processes), "fazer o desenvolvimento da investigação, transferir as condições da tecnologia para as empresas até à linha de produção". Não deverá levar muito até que esta "revolução", tal como lhe chama Rodrigo Martins, chegue aos nossos computadores e carros. A título de exemplo, o contrato com a Fiat foi assinado em Setembro, e não ultrapassará os quatro anos de desenvolvimento. A investigação realizada pelos investigadores da FCT não é totalmente original. O princípio foi desenvolvido ao mesmo tempo em Tóquio, por Hideo Hosono, que vendeu a ideia à Canon e nos EUA por David Paine, que vendeu o seu trabalho à HP. A mais valia dos portugueses está no facto de conseguirem reproduzir o processo à temperatura ambiente. "As outras experiências só o conseguiram fazer a temperaturas elevadíssimas. Como nós o fizemos à temperatura ambiente, podemos aplicá-lo ao plástico normal, que derrete a temperaturas elevadas. A vantagem está no facto de a transposição para a produção se tornar rápida e barata", explica Rodrigo Martins.
NunoSáLourenço Público-Digital

No passado dia 10 de Julho, a Prof. Elvira Fortunato do Departamento de Ciência dos Materiais foi distinguida com a Medalha de Ouro de Mérito e Dedicação da Cidade de Almada.

Aproveito para deixar um triplo PARABÉNS, à Prof. Elvira Fortunato e ao Prof. Rodrigo Martins pelo excelente trabalho que muito nos ajudará no futuro e à Presidente da Câmara de Almada, Drª Emília Sousa pela iniciativa e por este reconhecimento.

Fico feliz por ainda cá andarem alguns de olhos abertos.




Um comentário:

Anônimo disse...
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